A Doença de Crohn é uma das Doenças inflamatórias intestinais (D.I.I.), descrita em 1932 por Dr. Burrill B. Crohn (foto), no íleo terminal. O achado de granuloma no exame histológico deu o nome de doença granulomatosa intestinal (embora só esteja presente em 30%). Sua etiologia é desconhecida – multifatorial.
A redução da superfície absortiva na mucosa do intestino, resultante da extensa inflamação da doença, causa esteatorréia (fezes volumosas com grande quantidade de gordura) e má absorção de vitaminas lipossolúveis e de vitamina B12. Estas inflamações podem agravar o quadro desabsortivo por permitirem a proliferção bacteriana onde nasce o bloqueio levando a desconjugação de sais biliares. São significativas as perdas de proteínas, eletrólitos e sangue pela mucosa intestinal inflamada.
É uma doença que pode acometer qualquer porção do trato gastrointestinal (da boca ao ânus), mas a frequência maior ocorre no intestino grosso e no intestino delgado. Essa é a principal diferença em relação à Retocolite Ulcerativa. A outra é que, na RCU, a inflamação acontece a partir do reto e segue em sequência até o final do cólon ascendente. Na DC os acometimentos podem acontecer em vários pontos isolados, como mostra a imagem abaixo.

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A Doença de Crohn estimula vários distúrbios nos mecanismos biológicos, gerando manifestações extra-intestinais como artrites, problemas oculares, aftas, fístulas, entre outras.

 

O que causa a doença?
Há várias teorias sobre o que causa a Doença de Crohn, mas até agora nenhuma foi provada. Apesar de saber-se que pacientes com essa doença têm o sistema imunológico com funcionamento anormal, os médicos não sabem se os problemas imunológicos são a causa ou o resultado da doença.
Quais os Sintomas?
Os sintomas mais comuns são: dor abdominal (geralmente na parte baixa e à direita do abdomen), diarréia ou constipação. Há também sangramento retal, perda de peso e febre. Se o sangramento for abundante e constante, leva a anemia. As crianças podem ter o seu desenvolvimento retardado.
Qual o melhor Tratamento?
Muitas drogas existem para ajudar no controle da doença, mas nenhuma leva à cura. O que se faz é usar uma dieta nutricional individual, controlar a inflamação e diminuir a dor abdominal, a diarréia e o sangramento retal. As drogas mais utilizadas são as sulfassalazinas, as mesalazinas, os imunossupressores, os corticóides e antibióticos.
Dietas?
Na verdade não existem dietas específicas para prevenir ou tratar a doença. Como cada pessoa reage de forma diferente, é aconselhável que se procure um nutricionista que conheça bem a doença, e evite as comidas que percebe que fazem mal. Não se deve tomar grandes doses de vitaminas, porque além de desnecessárias podem causar efeitos indesejáveis. O paciente precisa de uma boa alimentação para que possam ser repostos no organismo os nutrientes, vitaminas e minerais que são perdidos devido à dificuldade de absorção dos alimentos, diarréia e apetite reduzido.

Aconselha-se que sejam evitados alimentos condimentados, com gordura, açúcares, leite e seus derivados (a maioria tem intolerância à lactose), fibras, e alimentos que contenham fermento.
Existem Pesquisas?
Existem alguns laboratórios pesquisando não só a cura da doença, como também remédios que tratem melhor os sintomas, tornando a vida do paciente mais fácil.

Alguns medicamentos novos já estão sendo utilizados como o Infliximab e o Adalimumabe.
Stress e Crohn?
Cientistas já relacionaram o stress com o Crohn e afirmam que a tensão emocional pode influir no curso da doença. O acompanhamento de um psicoterapeuta, com conhecimentos das enfermidades intestinais é muito recomendado, ajudando no controle da doença e até fazendo com que os sintomas desapareçam.
De que forma a doença altera o metabolismo do paciente?
O paciente apresenta desnutrição protéico-calórica significativa, aumentando suas perdas substanciais (proteínas, zinco, magnésio, etc.), devido à má absorção causada pelas deficiências intestinais.
A Doença de Crohn inibe o metabolismo das fibras alterando também o poder catabólico das enzimas hidrolases que atuam na transformação de proteínas em aminoácidos, de amidos em polissacarídeos e de triglicérides em ácidos graxos. A principal enzima suprimida é a 5-lipooxigenase, que atua no metabolismo do ácido aracdônico.
Quais são os efeitos colaterais da doença e do tratamento?
Os sintomas da doença dependem de qual parte do tubo digestivo está afetada. Os efeitos colaterais do tratamento também dependem do medicamento que está sendo utilizado. Em termos de efeitos colaterais, os piores são com os corticóides, que além do inchaço (cara de lua) e aumento de apetite, provocam a longo prazo efeitos complicados como a osteoporose e o glaucoma, entre outros.

As principais manifestações clínicas da doença são febre, dor abdominal, diarréia freqüente e fadiga generalizada. E em relação ao tratamento medicamentoso, as reações adversas mais comuns são cefaléia, vômitos, dores abdominais e hemólise devido ao uso contínuo dos medicamentos indicados, principalmente a Sulfassalazina.
O custo do tratamento é alto?
É alto porque a maioria das drogas mais modernas são caras, com envolvimento de muita pesquisa e outras são importadas. Mas aqui no Brasil já existe a liberação gratuita da maioria dos medicamentos pelo Ministério da Saúde.
Há possibilidade de intervenção cirúrgica?
Sim. Quando o paciente não responde ao tratamento clínico ou apresenta complicações como obstrução, perfuração, septcemia e/ou fístula. Qualquer um destes casos (quando complicam) existe a necessidade de uma intervenção cirúrgica.